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Ocimara Balmant e Paulo Saldaña, de O Estado de S. Paulo
A exemplo do que ocorre em todo Brasil, as maiores dificuldades dos alunos da rede estadual de São Paulo também estão em matemática. A média da disciplina caiu nos dois ciclos do ensino fundamental, de acordo com dados do Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) divulgados na noite desta sexta-feira, 8.
A novidade ficou por conta da queda no 5.º ano. As avaliações da série vinham apresentando melhoras graduais entre 2008 e 2011 – período em que a nota saltou de 190 para 209. No ano passado, no entanto, a média caiu para 207,6. No 9.º ano – em que a nota caiu de 245,2 para 242,3 – a rede ficou com um índice mais baixo do que o de 2008.
Houve uma melhora na disciplina entre os alunos do ensino médio. Desde 2009 as notas da disciplina nessa fase mantinham-se estáveis, entre 269 e 269,7. Em 2012 passou para 270,4. Apesar disso, 55,8% dos alunos ainda estão em um nível considerado abaixo do básico.
Priscila Cruz, do Todos pela Educação, ressalta que a oferta de professores e a formação são críticas. “Matemática traumatiza os alunos logo de início, por isso a formação é importante. Mas se no fundamental 1 já tem problema, não tem como atender as dificuldades futuras.”
Para a professora Mercedes Carvalho, especialista em ensino de matemática da Universidade Federal de Alagoas, três fatores pesam na piora do rendimento dos alunos na disciplina: a manutenção do mito de que a matemática é difícil, o baixo interesse em cursar licenciatura e, principalmente, a preferência dos docentes em atuar no ensino médio. “Em uma turma de licenciatura todos dizem querer dar aulas no ensino médio.”
Mercedes explica que é preciso uma mudança nas atribuições de aula, com os licenciados em matemática assumindo turmas dos últimos anos do ciclo 1 (4.º e 5.º anos), atualmente nas mãos de pedagogos. “Quando se adianta o contato dos alunos com o especialista, é bom para os dois lados.”
Objetivo
NILSON JOSÉ MACHADO
PROFESSOR DA FACULDADE DE EDUCAÇÃO DA USP
"Os governos veem as avaliações como um fim, não como um meio capaz de produzir ações efetivas"

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